Sob pressão, pastor dos EUA confirma decisão de queimar cópias do Corão

Terry Jones, pastor da Igreja Dove World Outreach, na Flórida, confirmou na manhã desta terça-feira sua decisão de queimar cópias do Corão no próximo dia 11 de setembro, exatos nove anos depois dos atentados terroristas que mataram mais de 3.000 em Nova York e Washington.

O chefe das tropas de Estados Unidos no Afeganistão, general David Petraeus, advertiu que a queima do livro sagrado do Islã “pode causar problemas significativos” para as forças americanas em países muçulmanos.

Jones disse em uma entrevista à rede CNN que os EUA “enfrentam um inimigo com o qual não se pode dialogar e ao qual deve se mostrar força”.

O pastor, que dirige a igreja carismática cristã em Gainesville, no Estado americano da Flórida, disse ainda que a queima do Alcorão “não é nem um ato de amor, nem um ato de ódio, mas sim uma advertência sobre a ameaça que representa o islã”.

Ele afirma ainda que decidiu declarar 11 de setembro como o “dia internacional de queimar um Corão”.

Na véspera, centenas de pessoas fizeram uma manifestação em Cabul, capital afegã, em um protesto contra os planos de Jones. Petraeus disse que se a queima for realizada, “a segurança de nossos soldados e civis estarão em um perigo maior e nossa missão se tornará mais difícil”.

Os protestos levaram ainda milhares de pessoas a se manifestarem em torno da Embaixada dos EUA em Jacarta, na Indonésia. A Associação Nacional de Evangélicos organizou uma “congregação para a paz” entre cristãos, muçulmanos, judeus e hindus para uma vigília na véspera do 11 de setembro.

O Globo – 02/09/2010

RIO – O Universo provavelmente nasceu do nada, afirma o físico Stephen Hawking. Segundo o cientista, “não há lugar para Deus nas teorias de criação do Universo”.

Anteriormente, Hawking havia afirmado que a existência de um criador não era incompatível com a ciência. Mas, em seu novo livro, ele conclui que o Big Bang é uma consequência inevitável das leis da física, nada mais. Na obra “The Grand Design”, que será lançado no dia 9 de setembro, o físico afirma que o Universo não precisou de um deus para ser criado.

- A criação espontânea é a única explicação para a existência do Universo – afirma.

No livro, Hawking também contesta a teoria de Isaac Newton de que um deus teria desenhado o Universo, já que os planetas não poderiam ter nascido do caos. Citando a descoberta de 1992, que mostrou pela primeira vez planetas orbitando uma estrela que não era o Sol, Hawking disse que estão aparecendo cada vez mais evidências de que o Universo não nasceu como um “presente para os homens”.

- Não é necessário envocar Deus para explicar o futuro do Universo.

Em seu best-seller de 1998, “Uma breve história do tempo”, o físico parecia ter aceitado o papel de Deus na criação do Universo.

- Se conseguíssemos explicar por completo a teoria da criação, teríamos o triunfo da razão.

CARLOS APOLINARIO

De alguns anos para cá, muito se tem falado sobre gays e lésbicas. Em todas as Casas Legislativas, e também no Executivo, têm sido aprovadas leis a esse respeito -e ainda existem muitos projetos em tramitação.
A Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou a lei nº 10.948/ 2001, que determina: se alguém for acusado de discriminar um gay em uma empresa, além da multa e do processo penal, o estabelecimento poderá ter cassada a licença de funcionamento. Ou seja, se a empresa tiver 200 funcionários e sua licença for cassada, todos serão punidos com a perda do emprego.
O movimento gay faz um intenso lobby para que o Congresso Nacional altere a lei nº 7.716, que define os crimes de racismo.
O objetivo das lideranças gays é que a legislação passe a punir também aqueles que têm uma opinião divergente das suas.
Se alguém falar contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, ou disser que não concorda com a adoção de crianças por homossexuais, poderá ser processado.
E mais: caso essa lei seja alterada, não poderei falar da Parada Gay, nem mesmo fazer o discurso contra a instalação da Central de Informação Turística GLS pela Prefeitura de São Paulo, como fiz na Câmara Municipal. E não poderia nem escrever este artigo.
A Constituição Federal assegura o direito à liberdade de expressão.
Podemos criticar divórcio entre héteros, sindicatos, empresários, políticos, católicos, evangélicos, padres e pastores, mas, se falarmos contra o pensamento dos gays, somos considerados homofóbicos e nos ameaçam, até com processos.
Punir alguém por manifestar opinião divergente é próprio das ditaduras. Eu tenho a convicção de que já estamos vivendo numa ditadura gay, pois, na democracia, qualquer pessoa pode discordar.
Eu não concordei com a Prefeitura de São Paulo quando ela proibiu as manifestações na avenida Paulista, mas lá manteve a Parada Gay. A Paulista é uma via de acesso aos principais hospitais da cidade.
Por esse motivo, foi proibida a realização de eventos, entre eles a comemoração do Dia do Trabalho promovida pela CUT e a Marcha para Jesus. Não faz sentido manter a Parada Gay na Paulista.
Por defender essa posição, sou acusado de ser homofóbico.
Também sou acusado de homofobia por me manifestar contrariamente à participação da prefeitura na criação da Central de Informação Turística GLS no Casarão Brasil, sede de uma ONG gay.
Não é correto usar o dinheiro público para dar privilégio a um grupo. O ideal é criar um serviço que atenda a todos os segmentos sociais, já que a Constituição diz que todos somos iguais perante a lei.
Respeito o gay e a lésbica, pois, como cristão, aprendi o significado e o valor do livre-arbítrio, mas discordo da exclusividade que o poder público dá à comunidade gay.
Essas medidas tornam os homossexuais uma categoria especial de pessoas. Do jeito que as coisas vão, daqui a pouco alguém apresentará um projeto transformando São Paulo na capital gay do país.

Artigo publicado na Folha de S. Paulo, no dia 07/06/2010.

Notícia publicada no Portal Terra:

Um grupo de cientistas turcos e chineses afirma term localizado a Arca de Noé no monte Ararat, de acordo com a imprensa turca. O pesquisador chinês Yang Ving Cing diz que eles encontraram uma estrutura antiga de madeira em uma altitude de 4 mil m no monte que fica no leste da Turquia, na fronteira com o Irã.

O cientista é membro de uma organização internacional dedicada à busca pela arca em que, conforme a Bíblia, Noé e sua família escaparam do Dilúvio Universal. Segundo Cing, a estrutura encontrada tem 4,8 mil anos.

“Não é 100% seguro que seja a arca, porém pensamos que é 99,9%”, disse Cing à agência turca Anadolu. “A estrutura do barco tem muitos compartimentos, o que indica que podem ser os espaços onde se localizavam os animais”, afirmou.

O pesquisador disse ainda que pediu ao governo turco para que proteja a zona para poder iniciar as escavações. Além disso, ele afirmou que pediu à Unesco que coloque o local na sua lista de patrimônio da humanidade.

Não é a primeira vez que o grupo afirma ter encontrado a arca no Ararat, a montanha mais alta da Turquia e onde a Bíblia afirma que Noé desceu quando baixaram as águas do Dilúvio.

Reportagem publicada na Folha de S. Paulo no dia 27/04/2010:

da New Scientist

Quando as pessoas se deixam seduzir pela oração de uma figura carismática, áreas do cérebro responsáveis pelo ceticismo e vigilância tornam-se menos ativas. Essa é a conclusão de um estudo que analisou a reposta das pessoas a orações proclamadas por alguém que supostamente possui poderes de cura divina.

Para identificar os processos cerebrais subjacentes à influência de pessoas carismáticos, o estudioso Uffe Schjodt, da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, e seus colegas procuraram cristãos pentecostais, que acreditam que algumas pessoas têm poderes divinos de cura, sabedoria e profecia.

Utilizando ressonância magnética funcional, o pesquisador e seus colegas realizaram uma varredura nos cérebros de 20 pentecostais e 20 não crentes, enquanto tocavam orações gravadas. Os voluntários foram informados de que seis das orações foram lidas por um não cristão, seis por um cristão comum e seis por um curandeiro. Na realidade, todas foram lidas por cristão comuns.

A atividade cerebral monitorada pelos pesquisadores mudou apenas nos voluntários devotos, em resposta às orações. Partes do córtex pré-frontal e do córtex cingulado anterior, que desempenham papeis fundamentais de vigilância e ceticismo ao julgar a verdade e a importância do que as pessoas dizem, foram desativadas enquanto as orações ouvidas eram dos supostos curandeiros. As atividades diminuíram em menor medida quando no alto-falante falava, supostamente, um cristão normal.

O pesquisador disse que isso explica porque alguns indivíduos podem exercer mais influência sobre os outros, e conclui que a habilidade para isso depende fortemente de noções preconcebidas de sua autoridade e confiabilidade.

Não está claro se os resultados se estendem a líderes religiosos, mas Schodt especula que regiões do cérebro podem ser desativadas de forma semelhante em resposta a médicos, pais e políticos.

Reportagem publicada no último dia 2 de abril no Jornal Folha de S. Paulo:

Para 59%, ser humano é resultado de uma evolução guiada por Deus; somente 8% não acreditam em interferência divina

As informações obtidas pela pesquisa realizada no Brasil contrastam com as colhidas nos EUA, mas se aproximam dos resultados na Europa

HÉLIO SCHWARTSMAN
DA EQUIPE DE ARTICULISTAS

Um de cada quatro brasileiros acredita em algo parecido com o mito de Adão e Eva. Para eles, o homem foi criado por Deus há menos de 10 mil anos. Esse dado consta da primeira pesquisa Datafolha que investigou as convicções da população sobre a origem e o desenvolvimento da espécie humana.
A maioria das pessoas crê em Deus e Darwin. Para 59%, o ser humano é o resultado de milhões de anos de evolução, mas em processo guiado por um ente supremo. Apenas 8% consideram que a evolução ocorre sem interferência divina.
A crença no mito de Adão e Eva despenca à medida que aumentam renda e escolaridade. Quando se acrescentam dinheiro e instrução, a proporção dos darwinistas puros mais do que dobra do menor para o maior estrato. Entre os que acatam a evolução sob gerência divina, o aumento é mais modesto: fica entre 15% (renda) e 20% (escolaridade).
O Datafolha ouviu 4.158 pessoas com mais de 16 anos. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais.
Os 25% de criacionistas da Terra jovem (que atribuem menos de 10 mil anos a nosso planeta de 4,6 bilhões de anos) surpreendem porque o fundamentalismo bíblico, em que as Escrituras são interpretadas literalmente, não faz parte das tradições religiosas do Brasil.
A Igreja Católica, ainda a mais influente no país, jamais condenou a evolução. Pelo contrário até, o Vaticano vem já há algumas décadas flertando discretamente com o autor de “Origem das Espécies”.
Em 1950, o papa Pio 12, na encíclica “Humani generis”, classificou o darwinismo como “hipótese séria” e afirmou que a igreja não deveria rejeitá-la, embora tenha advertido para o mau uso que os comunistas poderiam fazer dessa teoria. Em 1996 foi a vez de João Paulo 2º declarar que a evolução era “mais do que uma hipótese”.
Também entre evangélicos, a literalidade do Gênesis, o livro da Bíblia que relata a criação do mundo e do homem, está longe de unânime. Na verdade, só algumas poucas denominações como adventistas e Testemunhas de Jeová pregam abertamente contra a evolução.
Boa parte das demais se limita a apontar “problemas” no neodarwinismo, tentando reservar algum espaço para Deus, que pode ter papel mais ou menos ativo. Ele pode ser desde o demiurgo, que se limitou a criar o mundo com todas as suas leis (incluindo a seleção natural), e retirou-se até o “Deus ex machina” que interfere o tempo todo, projetando bichos, atendendo a preces etc.
Em tese, qualquer uma dessas posições se encaixa na afirmação de que Deus e evolução atuam juntos. Ela funciona como um guarda-sol que abriga desde católicos estritos a deístas, passando por entusiastas do “design inteligente”, que nada mais é do que criacionismo com pretensões científicas.

Teologia intuitiva
Como os adeptos de religiões que defendem a literalidade do Gênesis não chegam nem perto de 25% da população, é forçoso reconhecer que a boa parte das pessoas que abraçaram a hipótese de Adão e Eva o fez seguindo suas próprias intuições, sem prestar muita atenção ao que afirmam suas respectivas lideranças espirituais.
Essa impressão é reforçada quando se considera que a adesão ao criacionismo bíblico se distribui de forma generosa entre todos os credos. Umbandistas (33%) e evangélicos pentecostais (30%) ficam um pouco acima da média nacional, mas católicos comparecem com 24% e evangélicos não pentecostais, com 25%.

Outros países
Uma nota curiosa vai para os que se declaram ateus. Entre eles, 7% também se classificam como criacionistas da Terra jovem e 23% como partidários da evolução comandada por Deus.
Os resultados obtidos no Brasil contrastam com os colhidos nos EUA, mas se aproximam com os de nações europeias. Entre os norte-americanos, a proporção de criacionistas bíblicos chega a 44%. Os evolucionistas com Deus são 36%, e os neodarwinistas puros, 14%. Esses números foram apurados em 2008 pelo Gallup, numa pesquisa que vem sendo aplicada naquele país desde 1982 e que serviu de modelo para a sondagem do Datafolha.
Em relação à Europa, o Brasil se encontra mais ou menos na média. De acordo com uma pesquisa de 2005 do Eurobarômetro, que aferiu o número de pessoas que rejeita a evolução, os criacionistas por ali variam de 7% (Islândia) a 51% (na islâmica Turquia), com a maioria dos países apresentando algum número na casa dos 20%.

A mídia esportiva noticia, desde a última quinta-feira, um incidente que teria ocorrido com o elenco do Santos Futebol Clube: um grupo de jogadores evangélicos teria se recusado a participar de uma ação social na instituição espírita Lar Mensageiros da Luz, que cuida de pessoas com paralisia cerebral. Muito embora o tema deva ser tratado com cautela – as versões são muitas –, a discussão que vem à tona é interessante: um evangélico deve se recusar a participar de ações sociais que tenham ligações com entidades espíritas, ou, como afirmou o presidente do Santos, “caridade não tem religião”? E aí, o que você faria? Abaixo segue a íntegra de uma reportagem publicada no Portal Terra.

***

O presidente Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro irá se reunir com o elenco do Santos nesta segunda-feira. O objetivo é convencer a ala evangélica do grupo a promover ações beneficentes em prol da instituição espírita Lar Mensageiros da Luz, para reparar o incidente da última quinta-feira – alguns jogadores se recusaram a entrar no local, que cuida de portadores de paralisia cerebral e outras deficiências, para participar da entrega de ovos de Páscoa.

“Alguns já me procuraram, entre eles o Ganso e o Neymar, dispostos a ir até lá. Farei uma preleção na segunda-feira para conversar com todos. A ideia inicial é que aqueles que pretendem se redimir doem os uniformes do jogo com o Sertãozinho para a instituição leiloar”, disse, durante o programa Mesa Redonda.

Ribeiro ainda contou o polêmico episódio em detalhes. Segundo o presidente, apenas o volante Roberto Brum havia se recusado a pisar em instituição espírita quando surgiu o convite. Quando chegaram no Lar Mensageiros da Luz, Robinho, Neymar, Paulo Henrique Ganso, André, Marquinhos, Léo e Fábio Costa preferiram permanecer no ônibus do clube.

“É interessantíssimo, pois todos sabiam aonde a gente ia. Eles tinham aplaudido a iniciativa, já que inicialmente apenas o Dorival Júnior e eu visitaríamos o lugar. O Roberto Brum, no seu direito, pediu licença para não ir e foi respeitado. Os outros mudaram de opinião quando chegaram ao recinto. Acho que eles cometeram um equívoco, cedendo a um impulso imediato. Alguém talvez tenha digo que não desse sorte”, disse o presidente, preferindo exaltar a tolerância religiosa de outros atletas.

“Onze jogadores nos acompanharam. Foi um gesto louvável de solidariedade humana no espírito da Páscoa. Eu visitei a instituição e vi cenas comoventes, de crianças que se expressam apenas com o olhar. Mas acontece. Ninguém é obrigado a fazer caridade. O que aconteceu foi um enorme mal-entendido”, definiu.

Para o presidente, a juventude dos atletas do Santos é uma explicação para o incidente – apesar de muitos daqueles que não concordaram com o gesto filantrópico à casa espírita já sejam experientes. “Quando a gente ainda não passou por um processo de maturação, tendemos a tomar atitudes impensadas. Eles são meninos do bem, centrados e alegres, que estão começando na profissão agora. Foi um erro, que poderá ser reparado após o jogo com o Sertãozinho”, reforçou Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro.

Comentário de André Garcia Ferreira sobre o texto “Igreja usa telas de Jesus com jeans em Via-Sacra no RS”, postado logo abaixo:

A partir desses quadros de Jesus vestido de calça jeans e deixando de lado o nosso olhar inquisitório, sedentos para afirmar a brutal heresia que essa comunidade estaria cometendo, gostaria de propor a seguinte reflexão: ao expor esses quadros, fica claro que, esta igreja está refletindo sobre o papel social da Igreja, tipificada em Jesus contemporâneo agindo sobre as calamidades que nos assolam. A Igreja Católica, notadamente, através das Campanhas da Fraternidade, traz à tona, questões de relevância coletiva. Neste ano, a Campanha com o tema ” Fraternidade e Economia” leva a sociedade a pensar sobre a inclusão de alimentação adequada entre os direitos previstos na Constituição Federal, erradicar o analfabetismo, eliminar o trabalho escravo, combater o trabalho infantil, garantir o acesso a água e a Reforma Agrária.

Entretanto, podemos observar que os discursos das Igrejas Evangélicas midiáticas, sobre o seu papel neste mundo, vão por um caminho diferente: A função da Igreja é eliminar o mal espiritual nas vidas das pessoas que alcançarão, individualmente, a prosperidade. Apesar de muitas instituições religiosas desenvolverem atividades sociais, como casas de recuperações para drogados, as pregações coletivas que são transmitidas direcionam-se para a soluções dos problemas individuais. Não me lembro de campanhas de Igreja Evangélicas que abordem temas como preservação do ambiente, erradicação da fome, economia da água etc.

Enfim, qual o papel social do cristão?

Notícia publicada no site g1.com.br:

Imagens representam Cristo em meio aos atuais problemas do país. Peças foram encomendadas pelos fiéis da paróquia.

Telas que representam Jesus na atualidade vão fazer parte da Via-Sacra, em Carazinho (RS), na quarta-feira (31). As peças trazem imagens de Jesus vestido com calça jeans, cenas de violência, pessoas com fome pelas ruas e o surto da nova gripe no país.

Desemprego, maus-tratos aos idosos e racismo também foram representados nas obras.Os painéis foram criados pela artista plástica Ilse Ana Piva Paim, moradora da cidade, por encomenda da Igreja Nossa Senhora da Glória. O primeiro painel foi encomendado pelos fiéis da igreja, em janeiro do ano passado, para comemorar o cinquentenário da paróquia.

Segundo Ilse, no primeiro momento a comunidade se assustou com as imagens, mas agora todos aceitam e admiram as obras. “Todas as peças colocam Jesus na nossa realidade. Se ele estivesse vivo, hoje, ele estaria vivendo exatamente o que está representado nas telas”, afirmou.

“Todos os painéis foram pagos pelos próprios fiéis. Eles se reuniram e arrecadaram dinheiro para que as obras fossem produzidas. Algumas empresas da cidade também ajudaram no pagamento”, disse.

Para Alda Maria Schipper, presidente da Fundação Cultural de Carazinho, as telas são uma forma de prestigiar uma artista local e levar a religião de uma forma moderna para os moradores da cidade.

“Nada foi baseado em estampas já feitas por outros artistas do passado. Esse é um trabalho novo e criativo, que favorece as características da nossa região. As alegrias e tristezas das pessoas estão representadas nas obras. É a nossa comunidade representando Cristo no homem da nossa cidade.”

A expectativa é que até o fim do ano outras telas sejam criadas para a paróquia. Após a Via-Sacra, elas vão ficar em exposição na Igreja Nossa Senhora da Glória.

No último sábado, dia 6 de março, a escola sabatina da Primeira Igreja Batista de São Paulo (PIB 7-SP) trouxe à tona um tema interessante: afinal, quais os critérios que levamos em consideração no momento de criticar um determinado comportamento ou atitude? O objetivo da lição era discutir acerca da noção de “família” dentro do contexto cristão: como agregar, na igreja, pessoas cujos hábitos e condutas nos parecem passíveis de reprovação? Qual o limite entre agir preconceituosamente e agir conceituosamente, no sentido de aplicar os conceitos apreendidos por meio da Bíblia? Em resumo, qual a relação entre o biblicamente reprovável e o socialmente reprovável?

O certo é que há entre os evangélicos alguns comportamentos que são unanimemente tidos por condenáveis. Um exemplo? A promiscuidade. Há outros que são discutíveis, como, por exemplo, o consumo regular de bebidas alcoólicas entre os crentes: existem aqueles que condenam veementemente, mas há também os que acreditam que o “pecado” está no excesso,  na embriaguez.  Porém, a celeuma se dá quando pensamos, por exemplo, no cigarro. Admitindo ser possível consumir cigarro de forma moderada, qual seria a diferença entre tomar uma taça de vinho com a família e ascender um cigarro? A resposta imediata que vem à cabeça de qualquer cristão é: o cigarro escandaliza, enquanto que o vinho é socialmente aceitável.

O ideia do “escândalo” nos remete à passagem bíblica em que o Apóstolo Paulo assevera que “se a comida fizer tropeçar a meu irmão, nunca mais comerei carne, para não servir de tropeço a meu irmão”. Ou seja, o consumo de carne não é em si condenável, mas sim se o fato de comê-la escandalizar seu irmão. A dificuldade que surge é que – no limite – esse argumento serve para justificar qualquer coisa. Durante a discussão, lembramos o caso em que uma irmã – sabe-se lá por que -  achava um verdadeiro escândalo o pastor conduzir uma moto. Um pastor que se preze, segundo o imaginário desta senhora, deveria abster-se de tal “pecado”. Por mais estranho que possa parecer, é certo que a irmã tinha sinceras justificativas – conscientes ou não – para considerar reprovável que um pastor conduza uma motocicleta.  O que fazer diante da situação? Deixar de andar de moto para não causar escândalo? Tentar convencer a senhora de que não há pecado algum em andar sobre duas rodas? Seja qual for a resposta, o impasse está dado.

Voltando ao cigarro, é importante destacar o papel do “peso social” nos julgamos lançamos contra os fumantes (sempre lembrando que aqui está pensando em um fumante não viciado – e, acreditem, isso existe). Ora, quando um crente condena um fumante eventual, lançando mão do argumento “social”, não estaria o cristianismo sendo pautado pelos valores da sociedade? Se, amanhã ou depois, o consumo de café se tornar algo socialmente reprovável, os evangélicos  estariam obrigados a parar de consumir a bebida para não escandalizar? Com isso não estaríamos substituindo a noção de que existe o certo e o errado para algo como “socialmente aceitável” e “socialmente reprovável”? É inegável que a sociedade transforma seus conceitos ao longo do tempo. Basta pensarmos na quantidade de atitudes que outrora eram consideradas inapropriadas e hoje são naturalmente aceitáveis. Em suma, a pergunta é: qual é a influencia – para o cristão – do “peso social” na determinação do certo e do errado?

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